Carreira Inovação

Por que em 10 anos você vai trabalhar numa profissão que não existe

16 de junho de 2021

Pense em explicar a alguém 25 anos atrás o que a profissão de um gerente de mídia social, motorista de uber ou operador de drone faz em 2020. A tecnologia combinada com as demandas da população, escassez de recursos, urbanização e outros fatores criaram uma série de novos empregos e mudaram radicalmente outros.

Pesquisas alegam que 65% das crianças que entram na escola primária hoje acabarão trabalhando em empregos que ainda não existem.

Já um relatório do Fórum Econômico Mundial de 2016 descobriu que em muitos setores e países, as ocupações ou especialidades mais procuradas não existiam há 10 ou mesmo cinco anos, e o ritmo da mudança deve acelerar.

Antigamente, quando você entrava na faculdade, era treinado em uma área funcional para um trabalho funcional, que permaneceria na maior parte de sua carreira. A mudança de paradigmas da era digital está longe do conhecimento funcional para a capacidade de ser fluido em seu conjunto de habilidades e em seu conhecimento.

E quando falamos de Arquitetura, Engenharia e Design – como ficam essas profissões?

Para onde vamos?

Arquitetura é uma das profissões mais antigas do mundo. Apesar de o diploma formal de arquiteto só ter surgido no final do século XIX na  Inglaterra, no momento que os nossos ancestrais empilharam as primeiras pedras para construir um abrigo no período neolítico, ali já era uma maneira de construção ativa.

Se formos falar de maneira mais formal, a profissão de arquiteto é bem recente, tem menos de 200 anos e começou a se popularizar quando os primeiros escritórios começaram a abrir e os grupos de pessoas que não pertenciam à burguesia puderam contratar serviços de arquitetura e design.

profissão: Alvar Aalto trabalhando no seu studio no início dos anos 20
Alvar Aalto trabalhando no seu studio no início dos anos 20
Fonte: Elle Decor

Informalmente os arquitetos sempre existiram construindo palácios, templos e igrejas. Mas essas pessoas nem sempre eram arquitetos e sim artistas, engenheiros ou artesãos.

No início do século XX discussões sobre a formação das cidades, grandes obras de engenharia, abertura de universidade como a Bauhaus  (todos impulsionados pela Revolução Industrial)trouxeram a profissão de arquiteto para outro patamar.

De lá para os dias de hoje o mundo mudou muito. A Revolução digital e a quarta Revolução Industrial têm ressignificado profissão do arquiteto, do engenheiro e do designer ( esse que surgiu há menosde 100 anos) na sociedade com novos paradigmas a serem pensados.

Será que ainda devemos ficar presos à formação clássica do arquiteto que constrói casas com tijolos, combina a cor da parede com o revestimento e dimensiona o tamanho de janelas? Será queo engenheiro será sempre aquele que calcula vigas de concreto e ferro? E o
designers será sempre aquele que cria imagens gráficas ou cadeiras legais?

Não existem outros nichos urgentes e extremamente importantes que vão além da formação acadêmica clássica e que precisam ser abraçados?

Habilidades e não diplomas

O futuro do trabalho não será sobre diplomas. Cada vez mais, será sobre habilidades. E nenhuma escola, seja Harvard ou Oxford, pode nos isolar da imprevisibilidade da progressão e interrupção tecnológica.

Embora nossos pais provavelmente tenham mantido um emprego pelo resto da vida, a maioria de nós já teve vários – e não apenas empregos, mas também carreiras.

No entanto, se mudarmos nosso foco de diplomas para habilidades, vamos habilitar uma força de trabalho maior e que representa a diversidade de nossas populações fechando lacunas de emprego. Isso significará a transição para uma infraestrutura de educação sempre ativa, baseada em habilidades, que abrange não apenas credenciais e certificação, mas também aptidão para o trabalho e emprego como resultados.

Precisamos entender que habilidades espaciais de engenheiros, arquitetos e designers podem ser usadas de maneiras mais abstratas para desenvolver sistemas do amanhã, trabalhando com outros tipos de técnicos e outras habilidades.

Precisamos Aprender a reconhecer nossas habilidades e colocá-las no mundo através da junção de diferentes universos. E não seriam esses universos novos nichos de mercado que estão surgindo com as diversas transformações que o mundo vem passando nos últimos 30 anos?

Possuir habilidades múltiplas será essencial para o futuro do trabalho. Na verdade, todos temos habilidades múltiplas, ninguém é bom em apenas uma coisa, mas no sistema tradicional de ensino e trabalho fomos ensinados a focar em um único alvo.

Precisaremos ser polímatas, ou seja, circular entre diferentes áreas do conhecimento, não se limitando a um único assunto.

Nichos do Futuro

Quando comecei o Tabulla há um ano atrás, mergulhei intensamente em artigos, pesquisas e livros sobre futuro da arquitetura, engenharia e design, novos modelos de criação, profissão, novas modalidades e nichos de trabalho e as influências da tecnologia nas carreiras universitárias.

Quase um ano de muitos posts depois, já no final do ano passado, comecei a notar um padrão: alguns nichos pareciam estar se sobressaindo e ganhando força, transformando a maneira tradicional daquilo que fomos ensinados na faculdade.

profissão: livro aberto contendo descrição sobre o livro Nichos do futuro

profissão: tablet mostrando trecho do livro nichos do futuro

Comecei a juntar todas os artigos e pesquisas e identifiquei 20 nichos que se repetiam em cases de negócios inovadores, em pesquisas nas melhores universidades do mundo e em matérias nas maiores revistas de tecnologia e criatividade.

Esses 20 nichos deram origem ao Nichos do Futuro, meu novo ebook, que faz um apurado do por que os trabalhos criativos vão mudar, por que essas áreas tem tudo pra dar certo e por que talvez você seja um arquiteto ou designer que não trabalhe diretamente fazendo projeto: simplesmente porque o futuro não é só isso.

O futuro é vasto, amplo, gigante e cheio de oportunidades e profissão.

Se você ficou curioso, essas são as 20 áreas que eu abordo no Nichos do Futuro:

  • Designer da Justiça
  • Designer de Varejo Virtual
  • Arquiteto da Alimentação
  • Arquiteto da Ficção
  • Gestor de Autoconstrução e Arquitetura Social
  • Designer de Experiência
  • Designer da Natureza
  • Designer da Saúde e Arquiteto da Cura
  • NeuroArquiteto ou Designer da Ação
  • Designer para a Terceira Idade ou Arquitetos Multigerações
  • Comunicador de Espaços
  • Design para a Infância
  • Arquiteto das Águas
  • Adaptador de Espaços para Drones
  • Educadores da Criação
  • Pesquisador de Passados
  • Especialista em Pré-Moldados
  • Urban Tech Designers
  • Gerente de Casas Inteligentes
  • Artistas da Tecnologia

E se você ficou ainda mais curioso, dá uma olhada no ebook aqui!